quarta-feira, 18 de outubro de 2017

BULLYING















Fui criança-adulta. Hoje sou adulta-criança.
Tristeza? Recebi já na infância,
assim como o deslumbre e a mágica do belo.
O que me salva são as plantas e os bichos,
que sempre sussurraram na minha alma a verdade do mundo,
apesar da opressão dos homens, grandes e pequenos, com suas línguas afiadas sempre à minha volta. Que culpa tenho eu se os leões reinam, os gatos são esquivos e as cobras rastejam?Precocemente caí de paraquedas num ninho de incoerências, num vale de enganos, numa moita de sedução oral. Somente agora percebi o invólucro lamacento que me vendava o amor-próprio, abatia meu corpo e sufocava meu espírito. Água, luz, areia e distância são os elementos de que sempre necessitei para tratar com afago esta mulher-menina tão negligenciada outrora. 


Adlla Rijo