terça-feira, 16 de agosto de 2016

TARTARUGUINHA DA MINHA INFÂNCIA



              Adlla Rijo


Tartaruguinha da minha infância,
como penei ao constatar tua partida !
Como chorei ao ver-me só,
nesta apressada vida, 
sem ter teu passo 
para compassar meu coração !

Tartaruguinha da minha infância,
como desejei, um dia, 
encontrar-te novamente
na imensa brandura 
do teu andar cadente,
na eterna sapiência
da tua lentidão.

Tartaruguinha da minha infância,
nem tens consciência do bem
que me fizeste, 
do incalculável amor
que tu me deste,
da alforria concedida 
sem qualquer reparação.


Tartaruguinha da minha infância,
ajudaste-me a amar
o ritmo vagaroso,
a fugir de todo 
açodamento enganoso,
a apartar-me, enfim, 
da inebriante afobação !

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