Adlla Rijo
Contemplando-o em tal postura,
com ares de menino-Deus,
sentando no colo da tragédia
e mais ferido do que eu,
tenho vergonha deste mundo.
Pergunto a ti, meu menino:
onde está teu estilingue,
tua bola e a bicicleta?
Sumiram no rastro da guerra?
Tenho vergonha deste mundo.
Por ver tão pura criança,
a quem se resolveu dar vida,
experimentar tamanho desgosto,
envolto em famigeradas feridas,
tenho vergonha deste mundo.
Em teu semblante manchado
de dor e reprovação,
ofereces-nos, sem palavras,
um imponente recado:
tenham vergonha deste mundo.
Não aprenderam, ainda,
homens, após tão longo percurso,
o que são nossas crianças?!
E é por tal comportamento,
por tal desprezo profundo
que grito para toda gente:
tenho vergonha deste mundo!

O comportamento
ResponderExcluirHumano diante da tragédia de certos humanos que nasceram marcados pelo desprezo social. Realmente é algo repugnante uma vergonha.